De onde vem esta necessidade de sermos aceitos e amados?

Queremos ser amados e aceitos e segundo a neurociência existe de fato uma memória ancestral de que precisamos ser aceitos, pois em uma época tribal pertencer a um bando significava sobrevivência. Viver em grupo ajudou os primeiros seres humanos a sobreviverem em ambientes hostis. E este traço ainda existe em nossos cérebros. Fazer parte de um grupo ainda ajuda as pessoas a se sentirem seguras e protegidas, mesmo com toda a tecnologia, conforto e segurança do século XXI.

A aceitação social talvez seja para muitos, até mais significativa pois exprime um senso de respeito pelo indivíduo, pelo outro, pelas diferenças. “O outro” pode até não me amar, já que é natural que não nos sintamos conectados por todos, entretanto, eu mereço ser aceito, pela minha simples existência, com todas as minhas qualidades e imperfeições, como qualquer outro ser humano. Certo?

Não só queremos ser amados, de uma certa forma precisamos nos sentir amados e pertencentes. Existe uma quantidade farta de estudos que demonstram como pessoas desprovidas de convívio e afeto têm consequências negativas nos campos emocional, psicológico, e até mesmo no físico. Segundo o  psicólogo e professor Nathan Dewall, da Universidade do Kentucky, as pessoas que se sentem isoladas e excluídas tendem a ter saúde física precária, não dormem bem, seus sistemas imunológicos pelejam, e até tendem a morrer mais cedo do que as pessoas que estão cercadas por outras pessoas que se importam com elas.

Na teoria tudo é muito simples coleguinha, mas a realidade é que este imbróglio começa logo cedo e em nome desta aceitação, muitos de nós se estropiam, às vezes de forma feia. Podem sair comprometidos a Autoestima, o Amor Próprio, a Autoaceitação, a Autoconfiança e o Autorrespeito. Resumindo: a busca por aceitação pode te lascar!

Muito cedo, aprendemos como “deveríamos nos comportar”, para sermos aceitos e amados por nossos pais. Uma “boa menina” tira boas notas, é educada, não chora, come com a boquinha fechada, não é egoísta, deve ser meiga, gentil, prestativa……..

A lista é grande. Certamente na sua família algumas características eram mais importantes que outras mas com certeza você ouviu algumas frases diversas vezes. E aí você foi percebendo que se você se comportasse de determinada forma iria receber amor, carinho e atenção. De forma inconsciente passamos a formar uma ideia de que não somos bons o bastante. E esta é a crença que mais limita e trava as pessoas.

Aprovação Social e Autoestima

Quando começamos a interagir socialmente na escola, fizemos um esforço para sermos agradáveis e aceitos. Ninguém queria ser o excluído, lembra? Mesmo que para isto, fosse necessário excluir outros, ou ser um bully. Como a crença de que “não somos bons o bastante” é uma construção inconsciente, não a questionamos. E podemos passar pela vida toda com esta sensação de “não bastar”, ou que preciso ser diferente. De um jeito ou de outro a Autoestima e a Autoconfiança saem prejudicadas, percebe?

Na prática você deixa de acreditar nos seus potenciais, não arrisca, não se acha merecedora de boas coisas, se limita pessoal ou profissionalmente, mantém-se presa neste ciclo. Ou então, acaba desempenhando papéis para ser aceita e acaba não sabendo mais quem se é. Eu vejo demais estas duas situações, e acredito que estas duas questões sejam as maiores causas de frustração, principalmente neste tempo tecnológico com as redes sociais, onde comparar-se e sentir-se inferior é tão fácil…

Olhe para seus pensamentos e sentimentos mais íntimos, investigue se existe este traço de “não se sentir bom o bastante”, perceba quais são as consequências desta crença em sua vida. Quando tomamos consciência destas questões temos a possibilidade de começar a racionalizar as nossas escolhas, e perceber que jamais agradaremos a todos, e que quando se trata de Autoestima e Amor Próprio, a Autoaceitação é mais importante do que qualquer aceitação externa.

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