Desvendando o Segredo da Autoestima

Tudo o que você precisa saber Sobre Autoestima

O que é Autoestima?

Em outras palavras, a autoestima pode ser definida como o quanto você se valoriza, independentemente das circunstâncias. Pode ser considerado uma espécie de medida do quanto uma pessoa “valoriza, aprova, aprecia, premia ou gosta de si mesma” (Adler & Stewart, 2004). De acordo com o especialista em autoestima Morris Rosenberg, a autoestima é simplesmente a atitude de uma pessoa em relação a si mesma (1965). Ele a descreveu como uma “atitude favorável ou desfavorável em relação a si mesmo”.

Você provavelmente já tem uma boa ideia, mas vamos começar do começo: o que é autoestima? Autoestima é o julgamento que você faz a seu respeito, é um processo mental, que tem consequências emocionais. Pode envolver uma variedade de crenças sobre você, como a avaliação de sua própria aparência, capacidade, emoções e comportamentos. Quando você se avalia de forma positiva existe autorrespeito e autoconfiança. Existe uma satisfação em ser quem é. A autoestima é o que pensamos, sentimos e acreditamos sobre nós mesmos.

Diferença entre Autoestima e Autoconceito

Autoestima não é autoconceito, embora a autoestima possa ser uma parte do autoconceito. O autoconceito é a percepção que temos de nós mesmos, nossa resposta quando nos fazemos a pergunta “Quem sou eu?” É conhecer as próprias tendências, pensamentos, preferências e hábitos, hobbies, habilidades e as sombras.Simplificando, a consciência de quem somos é o nosso autoconceito.

Purkey (1988) descreve o autoconceito como:“a totalidade de um sistema complexo, organizado e dinâmico de crenças, atitudes e opiniões aprendidas que cada pessoa considera verdadeiras sobre sua existência pessoal”.

De acordo com Carl Rogers, fundador da terapia centrada na pessoa , o autoconceito é uma construção abrangente, de que a autoestima é um dos componentes dele (McLeod, 2008).

Diferença entre Autoestima e Autoimagem

Autoimagem é como você “vê” a si mesmo (sua imagem, personalidade e comportamento). Inclui como você acredita que os outros te veem. Autoestima é o que você pensa desta imagem que você criou e como a valoriza.

Diferença entre Autoestima e Autovalor

A autoestima é um conceito semelhante ao valor próprio, mas com uma pequena (embora importante) diferença: a autoestima é o que pensamos, sentimos e acreditamos sobre nós mesmos, enquanto a autovalor refere-se às crenças de uma pessoa sobre seu próprio valor.    

Diferença entre Autoestima e Autoconfiança

A autoestima é voltada para o interior e influencia a maneira como nos relacionamos com o mundo e com os outros. Estima vem da palavra latina aestimare, que significa “avaliar, valorar ou estimar”. É formada através de nossas experiências de vida, bem como de nossos relacionamentos com os outros.

A autoconfiança é sobre confiar em si mesmo e em suas habilidades para alcançar objetivos e ter sucesso em desafios. A autoconfiança está voltada para o exterior e muitas vezes é mais fácil de construir do que a autoestima. A confiança vem do conhecimento e da prática; portanto, quanto mais experiência temos em algo, mais confiantes nos tornamos. Confiança vem da palavra latina fidere , que significa “confiar”. Ser autoconfiante normalmente leva a experiências bem-sucedidas, o que aumenta ainda mais a autoconfiança nessas áreas. No entanto, a maioria das pessoas se apoia na autoconfiança para a felicidade, em vez de trabalhar na autoestima.

Porque a Autoestima é tão importante?

A autoestima é importante porque influencia fortemente as escolhas e decisões de uma pessoa, além dos resultados e conquistas. Se você se avalia de uma forma positiva provavelmente irá fazer escolhas saudáveis e positivas. Além disso, a autoestima desempenha um papel significativo em sua motivação e sucesso em toda a sua vida. A Autoestima é uma espécie de motor que te permite locomover pelos meandros da vida, enfrentar as adversidades e desenvolver o seu potencial, ter um olhar positivo sobre si e a vida, manter relações saudáveis e o autocuidado, além de andar de mãos dadas com a autoconfiança. Tudo o que faz depende de como você se vê e se avalia.

Como se forma a Autoestima?

Não nascemos com Autoestima, esta é uma construção que aprendemos a fazer baseado na forma como fomos tratados, como interpretamos o valor que acreditamos que as outras pessoas nos deram, nas nossas experiências e alguns outros fatores. O que você pensa de você mesma não é necessariamente verdade, provavelmente não é, é “só” uma construção que você aprendeu a medida que foi se desenvolvendo. 

Da mesma forma que você aprendeu a ver o mundo de uma determinada forma, e a interagir com ele, você aprendeu a fazer o mesmo com você. O x da questão é que não foi uma construção consciente. Enquanto crianças não paramos para pensar se aquilo que pensávamos de nós fazia sentido e crescemos assim, sem nunca questionar se isto que pensamos sobre nós é verdade.

O que é ter Autoestima?

Todos tem Autoestima porque cada um de nós pensa, sente e se vê de alguma forma. Algumas pessoas se veem de forma positiva (autoestima saudável) enquanto outras se veem de forma negativa (baixa Autoestima).

Teorias da Autoestima

William James usou uma fórmula simples para definir autoestima, afirmando que autoestima é igual a sucesso dividido por nossas pretensões. As pretensões, neste caso, referem-se aos nossos objetivos, valores e ao que acreditamos sobre nosso potencial. Então, se nossas realizações reais são baixas e nosso potencial e metas são altos, nos vemos como fracassos. Por outro lado, e você provavelmente pode se lembrar de uma experiência como essa, se seu sucesso exceder suas expectativas, você se sentirá bem consigo mesmo e sua autoestima aumentará.

 O interacionismo simbólico (Proposto por Cooley e Mead) afirma que as pessoas fundamentam seus pensamentos e comportamentos em relação a coisas e pessoas com base no significado ou valor que acreditam que esses sujeitos possuem. Esses pensamentos e comportamentos são modificados ainda mais através da interação com os outros e sua influência. Esses dois teóricos propuseram que a autoestima vem da interação social e não de uma única noção interna de nosso valor. Desenvolvemos nosso senso de autoestima por meio da maneira como os outros nos tratam e das regras que nossa sociedade estabelece para definir a realização.

Líder no estudo da autoestima no início da segunda metade do século 20, Stanley Coopersmith , introduziu a ideia de que a autoestima começa cedo na vida. A autoestima constrói-se positivamente desde a primeira infância se o indivíduo for criado com amor e segurança. Ao longo da infância e na vida adulta, nossa autoestima aumenta ou diminui a partir dessa linha de base da primeira infância por meio de experiências positivas e negativas.

Morris Rosenberg , contemporâneo de Coopersmith, também estudou o desenvolvimento da autoestima, concentrando-se na adolescência e não na primeira infância. Suas teorias propunham que a autoestima se desenvolvesse mais durante a incerteza da adolescência. Durante este estágio de desenvolvimento, Rosenberg afirma que a autoestima é construída sobre uma avaliação do eu em comparação com os outros. Isso significa que os adolescentes se comparam aos seus pares para avaliar o próprio valor, enquanto pensam em como os outros podem vê-los.

A teoria da autoestima de Nathaniel Branden sugere que a autoestima tem seus pilares em práticas: Viver consciente, autoaceitação, autorresponsabilidade, autoafirmação, intencionalidade e integridade pessoal.

Os 6  pilares da Autoestima

O livro de Nathaniel Branden, Os Seis Pilares da Autoestima, proclama em seu subtítulo: “o trabalho definitivo sobre autoestima do principal pioneiro no campo”. Para Branden, o que influência a autoestima é o que a pessoa faz, por isto o livro é baseado em seis práticas:

  1. A prática de viver consciente: Não pode haver mudança nem desenvolvimento sem primeiro nos tornarmos consciente de nossos comportamentos, tendências e respostas usuais a certos eventos. Para Branden a consciência é a ferramenta básica de sobrevivência.
  2. A prática da autoaceitação: Se nos permitimos realmente ser quem somos, não procuramos mais a aprovação de outras pessoas. Para Branden a aceitação é pré condição de mudança.
  3. A prática da autorresponsabilidade: Praticar autorresponsabilidade é se comprometer com a própria vida, a autorrealização e o bem estar. Devemos confiar em nós mesmos e em nosso próprio poder e habilidades. Ninguém pode nos impedir de viver uma vida plena.
  4. A prática da autoafirmação: Trata-se de honrar nossas necessidades e expressar nossos valores. Hoje em dia as pessoas costumam chamar isso de “ser autêntico”. É natural que tentemos modificar nosso comportamento de uma forma que nos torne mais atraentes para os que nos rodeiam, mas isso não deve acontecer à custa de sermos verdadeiros com relação a nós mesmos.
  5. A prática da Intencionalidade: Significa não apenas ter objetivos na vida, mas viver de uma maneira que te leve a conquistá-los. É, entre outras coisas, viver produtivamente, o que é uma necessidade de nos tornarmos competentes na vida.
  6. A prática de viver com integridade pessoal: É a integração de ideais, convicções, padrões, crenças e comportamentos. Quando nosso comportamento é congruente e as práticas são compatíveis, temos integridade.

Autoestima baixa

Baixa Autoestima é a avaliação individual negativa que uma pessoa faz de si mesmo. Nestes casos a Autoestima não é saudável, pois a pessoa não consegue ver os seus pontos positivos e qualidades, foca nos erros e nos defeitos, normalmente sendo bastante autocrítica. A Autoestima pouco saudável em vez de agir como um motor que impulsiona acaba sendo um freio que atrapalha. Quando você tem baixa autoestima, tende a ver a si mesmo, o mundo e seu futuro de forma mais negativa e crítica. 

Você pode se sentir ansioso, triste, deprimido ou desmotivado. Quando você encontra desafios, pode duvidar se será capaz de superá-los. Você pode falar duramente consigo mesmo em sua mente, dizendo a si mesmo coisas como “Você é estúpido”, “Você nunca vai conseguir isso” ou “Eu não valho nada”.

 

Sinais de baixa Autoestima 

A Autoestima se revela de forma única em cada pessoa. A baixa autoestima pode tornar mais difícil alcançar seus objetivos e ter relacionamentos saudáveis. Ter baixa autoestima também pode tornar as pessoas mais sensíveis a críticas ou rejeição. 

Abaixo algumas formas comuns de a baixa Autoestima se manifestar:

  1. Sentir-se inferior/ incapaz
  2. Autocrítico severo
  3. Não se colocar em primeiro lugar
  4. Necessidade de agradar
  5. Desculpar-se em excesso
  6. Dificuldade em dizer não
  7. Dificuldade em receber elogios
  8. Evitar desafios ou buscar pela perfeição
  9. Não reconhecer as próprias qualidades
  10. Focar nos defeitos e nas faltas
  11. Dependência emocional
  12. Dificuldade em tomar decisões
  13. Excessos na aparência (supervaidade ou ausência dela)
 
 

Causas da baixa Autoestima

A baixa autoestima pode resultar de experiências na primeira infância. Se você não se encaixou na escola, teve dificuldade em atender às expectativas de seus pais ou foi negligenciado ou abusado, isso pode levar uma pessoa a ter crenças negativas sobre si mesma. Estas são crenças arraigadas que uma pessoa tem sobre si mesma.

Adolescentes, especialmente meninas, podem estar sujeitos a mensagens e ideais inúteis nas mídias sociais e na mídia em geral, que os levam a acreditar que seu valor é baseado em sua aparência ou comportamento. Isso pode levar a baixa autoestima e pensamentos negativos sobre sua autoestima . Um desempenho ruim na escola ou ser intimidado também pode causar baixa auto-estima.

Eventos de vida estressantes, como um relacionamento infeliz, um luto ou uma doença grave, também podem causar baixa autoestima. Algumas causas comuns são:

Reprovação de figuras de autoridade ou pais

Pais emocionalmente distantes

Alta expectativa parental

Abuso sexual, físico ou emocional

Divórcio litigioso entre os pais

Bullying 

Relacionamentos abusivos

Dificuldades acadêmicas

Culpa associada à religião

Padrões sociais de beleza

Comparação excessiva

Definição de metas irreais

Como saber se uma pessoa tem baixa Autoestima

Ainda que não seja possível afirmar se uma pessoa tem baixa Autoestima somente com estes sinais, eles são um forte indicativo:

Desculpam-se desnecessariamente

Evitam chamar a atenção (na forma de falar, se vestir e se expressar de forma geral)

Críticos em relação aos outros

Evitam desafios, dificuldade em sair da zona de conforto

Dificuldade em lidar com críticas

Dificuldade para receber elogios

Fuga no materialismo (compras excessivas como forma de sentir-se bem)

Agressividade como forma de autoproteção

Passividade (evitam conflitos ou discussões)

Busca por validação

Como ajudar uma pessoa com baixa Autoestima

  • Ajude-a a enxergar e reconhecer suas qualidades e dons: Quem tem baixa Autoestima tem dificuldade para ver algo positivo em si por isto uma ajuda externa é bem vinda.
  • Não alimente conversas negativas: Não encoraje falas negativamente sobre si mesmo ou sobre os outros.
  • Compartilhe o positivo: Se para você é mais fácil ver o lado positivo das coisas, compartilhe a sua forma de ver o mundo, assim você vai ajudar esta pessoa a mudar a perceber as situações. Uma citação positiva, foto, meme, carta ou presente significa muito para alguém que está se sentindo mal consigo mesmo – mostra que você está pensando nele e que alguém se importa com ele, mesmo quando não consegue reunir forças para se importar para eles mesmos.
  • Diga porque você a ama. Mostre para a pessoa (especialmente com exemplos práticos), que ela tem valor e é digna de ser amada.
  • Incentive o autocuidado: A negligência com o autocuidado é uma das formas de a baixa autoestima se mostrar. Aprender a cuidar de si faz parte do desenvolvimento de uma Autoestima saudável.
  •  Elogie ajude-a a aceitar elogios: O elogio ocasional ajuda muito alguém a se aceitar como é. 
  • Não diga como ela deve se sentir: Isto pode fazê-la se sentir ainda mais culpada e ver-se como errada ou “quebrada”.
  • Ajude a mudar o foco: coisas em que ela é boa, realizações pessoais, relacionamentos, as coisas que ele tem (e vai) realizar, encoraje-o a olhar para o futuro
  • Estimlue desafios: Conquistar objetivos ajuda muito a mudar de ser negativamente para sentir orgulho de si mesma.

Teste de Autoestima

Autoestima não é doença, por isto não existe um diagnóstico. A melhor forma de saber se você tem baixa autoestima é observando-se. Questionar-se e responder de forma sincera e objetiva te dará pistas de como anda a sua Autoestima.

Você pode fazer o teste sugerido no vídeo abaixo e também fazer o Teste Rosenberg de Autoestima AQUI

Como aumentar a Autoestima?

A pergunta que não quer calar. O que fazer para ter mais Autoestima?

  1. Autoconhecimento. O início de tudo. Primeiro você precisa saber quem é.
  2. Identifique e desafie os seus pensamentos automáticos negativos.
  3. Identifique e desafie suas distorções cognitivas
  4. Concentre-se no que você pode mudar. 
  5. Aprenda a celebrar as pequenas conquistas.
  6. Mapeie suas qualidades, habilidades e pontos fortes. Anote, lembre-se deles e não os perca de vista.
  7. Desapega da perfeição. Essa coisa não existe.
  8. Evite pessoas tóxicas. Só vão te deixar para baixo.
  9. Pratique autocuidado.
  10. Perdoe-se dos erros do passado. 
  11. Pare de se comparar.
  12. Adote o hábito da gratidão
  13. Torne-se assertivo, aprenda a dizer não e a pedir pelo que você quer.
  14. Saia do piloto automático e viva consciente

Autoestima é hábito 

Como você deve ter percebido, a Autoestima é uma valoração construída, portanto não é fixa. Para ter uma boa Autoestima é necessário conhecimento para saber o que fazer e principalmente praticar as ações que irão fortalecer a Autoestima. E não basta um evento único, portanto exige dedicação e persistência. É necessário abandonar os antigos hábitos nocivos (de pensamento e comportamento) e substituí-los com novos hábitos que participem da construção e manutenção de uma autoestima saudável.

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